O potencial impacto da nova política industrial brasileira na indústria de jogos

O Governo Federal apresentou dia 12 de maio, no Rio de Janeiro, a nova política industrial brasileira. Denominada "Política de Desenvolvimento Produtivo" (PDP), trata-se de uma série de medidas que visam a estimular a expansão no investimento em diversos setores da indústria nacional, propiciando meios para alavancar o desenvolvimento econômico brasileiro.
A indústria brasileira de jogos eletrônicos atualmente passa por um período de forte expansão e conquista de novos mercados, expansão esta que é fortemente influenciada pelo crescimento acelerado do mercado de games em todo o mundo. O anúncio da PDP veio então a aquecer ainda mais as expectativas das empresas do setor, em que um conjunto de benefícios decorrentes da nova política poderão ser aproveitados.

De acordo com Pedro Alem, assessor especial de projetos da Associação Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI), cada empresa poderá traçar sua estratégia com base nos meios disponíveis. “A ampliação do acesso das micro e pequenas empresas às linhas de financiamento do BNDES certamente aumentará a competitividade destas empresas, pois conseguirão mais fôlego para desenvolver seus produtos, com prazos maiores e taxas de juros menores do que a média do mercado financeiro. Também é muito importante atentar para as linhas de apoio da FINEP, no crédito com juros equalizados, editais do CT-info de cooperação com ICTs e também os editais de subvenção econômica destinados a MPEs”.

Do lado das empresas de games, André Penha, presidente da Abragames (Associação Brasileira das Desenvolvedoras de Jogos Eletrônicos), ressalta que a possível redução de impostos é louvável. Os programas do BNDES poderão auxiliar no crescimento das empresas já consolidadas ao ponto que o apoio da FINEP e a facilitação à concessão de bolsas RHAE serão importantes para as empresas incipientes (incubadas).  “É uma fórmula eficiente, sem dúvida. No entanto, o que realmente incentivaria a exportação seria um mecanismo de compensação de encargos sociais sobre contratação [de funcionários], já que toda a indústria de serviços (incluindo software e jogos) tem na folha de pagamento a maior parte de seus custos”, acrescenta.

Indústrias de tecnologia de ponta, como a de jogos, dependem intensamente da capacitação de profissionais e da integração universidade-empresa. Pedro Alem lembra que no caso das empresas da área de TI, há ainda a possibilidade de que as despesas com qualificação de pessoal possam ser deduzidas em dobro da base de cálculo do IRPJ e da CSLL. “Há também as iniciativas em curso no Ministério da Ciência e Tecnologia que podem ser aproveitadas pelas empresas.”

As iniciativas de qualificação de RH desenvolvidas pela PDP são fatores bastante importantes, que vieram para colaborar com as atuais estratégias de desenvolvimento do setor de games. Neste ponto André Penha ressalta que as ações previstas de formação de empreendedores para a exportação de serviços são essenciais,“é preciso ainda subsidiar a capacitação de recursos humanos, não apenas no desenvolvimento de tecnologia, mas também no desenvolvimento de negócios em tecnologia, dentro das empresas” Além da formação para a exposição internacional, é preciso também colocar o empresário em contato com o mundo exterior. “Nisso a Abragames já desenvolve uma importante parceria com a APEX e está bastante próxima da ABDI para colocar as empresas nacionais em contato com o mundo externo, o que já está gerando resultados”, diz Penha.

Pedro Alem também reforça que a consolidação das empresas brasileiras de games é algo a ser explorado junto ao BNDES. “Considero necessárias algumas fusões/aquisições para fortalecer alguns grupos, que poderão se tornar âncoras no ambiente nacional.” O crescimento do mercado como um todo, por sua vez, tende a acelerar a demanda por recursos humanos, e dessa forma “as empresas de games terão que estar preparadas para competir com os outros segmentos em termos de remuneração e desafios”. Pedro Alem ainda completa que o número de usuários de TI tem crescido aceleradamente, sobretudo dentro de uma parcela da população que possui pouca intimidade com tecnologia. Tal fator pode possibilitar que competências necessárias à produção de jogos eletrônicos se tornem de grande interesse para outros segmentos da indústria de software. “Isso pode abrir um grande mercado para os desenvolvedores de games em outros segmentos, como nas aplicações que serão desenvolvidas para a TV digital interativa, software bancário, e muitas outras” acrescenta.

Uma visão geral sobre a situação atual da indústria de games em meio às possibilidades de crescimento de volume de produção e de negócios, reforça ainda mais o caráter que as novas metas da PDP terão um em auxiliar o desenvolvimento das empresas de jogos eletrônicos, André Penha então completa: “O principal agora é caminhar com a execução dentro das linhas da nova política para a nova fase de crescimento da indústria de jogos digitais”.

Mais informações sobre a Política de Desenvolvimento Produtivo podem ser encontradas no site oficial: http://www.desenvolvimento.gov.br/pdp

Portal ABDI: http://www.abdi.com.br/

Abragames: http://www.abragames.org